L-Carnitina

A busca por intervenções nutricionais ou substâncias que otimizem a redução de gordura sempre foi e continuará sendo alvo de inúmeras pesquisas. Esse interesse é diretamente proporcional à epidemia de obesidade que se devasta no mundo atual. Associadas a isso, apresentam-se as alterações fisiopatológicas inerentes a obesidade como dislipidemia, diabetes, esteatose hepática não alcoólica e doenças cardiovasculares.

Assim, dentre tantos ativos estudados temos a L-Carnitina. Sua síntese ocorre partir do aminoácido lisina. Bioquimicamente, a L-Carnitina desempenha um papel relevante na oxidação de gorduras, por compor uma enzima presente no citoplasma da célula para dentro da mitocôndria, sendo quebrado em pares de carbono (Acetil-Coa), que por sua vez vão integrar o ciclo do ácido cítrico para gerar energia. Dessa forma, podemos dizer que a L-Carnitina é um co-fator da atividade mitocondrial.

Com o mecanismo bioquímico bem definido pela literatura, diversos autores se propuseram a pesquisar se a suplementação oral de L-Carnitina promoveria uma maior eficiência na oxidação de gorduras. Diversos estudos demonstraram que a ingestão oral de L-Carnitina (até 6g dia por 14 dias) não alterou a concentração de L-Carnitina muscular em seres humanos saudáveis não obesos e não promoveu perda de peso.

Todavia, cabe salientar que o conteúdo total de L-carnitina no músculo decresce à medida que o exercício se torna mais intenso, o que de certa forma poderia reduzir a eficiência de oxidação de gordura em exercícios submáximos. Porém, outros estudos clínicos apresentaram resultados na eficácia da L-Carnitina na prevenção de doenças cardiovasculares, nos tratamentos de pacientes renais (diálise), desordens depressivas e esteatose hepática não alcoólica.

Uma meta-análise publicada nesse ano (2016) na Obesity concluiu que a L-Carnitina, apesar de não proporcionar perda de peso em pacientes saudáveis, pode ter um impacto positivo na perda de peso em pacientes críticos como obesos e diabéticos.

No último ano (Clinical Endocrinology, 2015), pesquisadores apresentaram um trabalho cujo objetivo era avaliar a suplementação de L-Carnitina em mulheres portadoras de SOP (Síndrome do Ovário Policístico). Foram selecionadas 60 mulheres obesas diagnosticadas com SOP submetidas a 12 semanas de suplementação. Ao final, apresentaram resultados relevantes quanto ao índice de massa corporal, circunferência de quadril, circunferência de cintura e glicemia quando comparadas ao grupo controle.

Em outro estudo (Journal of Nutrition, 2014) pesquisadores concluíram que pacientes portadores de síndrome metabólica submetidos a suplementação de L-Carnitina apresentaram redução no peso corporal e menor percepção de fome e fadiga.

Podemos ainda citar a L-Carnitina em estudos que demonstram o seu benefício na expressão de receptores androgênicos, bem como na modulação do dano oxidativo.

A recomendação de L-Carnitina de acordo com os diversos estudos publicados pode variar de 250mg a 4 4g/dia. Usualmente, observam-se doses de 1 a 2g/dia.

Sem dúvida, a L-Carnitina é essencial para a eficiência na produção de energia, sobretudo, a sua suplementação apresenta dados relevantes por um lado e necessidade de mais estudos por outro. Assim, o seu uso deve ser estabelecido pelo nutricionista ou nutrólogo que identificará a relevância ou não sobre a prescrição.

Francieli Miquelon
Nutricionista

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